Elementos do Paisagismo

Elementos do Paisagismo

Na estética e composição de jardins, os elementos artificiais e os naturais fazem parte do ambiente existente ou projetado.

Consideram-se elementos artificiais aqueles que são construídos ou colocados pelo homem no ambiente natural, tais como caminhos, escadas, muretas, bancos, mesas, coretos, gradis, portões, tanques, caixas d’água, piscinas, cascatas, vasos, lixeiras, postes, quadras esportivas, etc.

Elementos naturais do paisagismo

Os elementos naturais são aqueles existentes ou plantados no local, compostos por uma combinação de componentes físicos (água, solo e clima) e biológicos (plantas e animais), tais como gramados, árvores, bosques, pomares, maciços de arbustos, plantas aromáticas e medicinais, hortas, orquidários, lagos naturais, etc.

Os componentes naturais estão todos intimamente relacionados entre si, influenciando a paisagem com seu tamanho, forma, cor, aroma, som, movimento, entre outros caracteres.

Assim, as plantas e os animais deixam de ser apenas parte da decoração, apresentando alto valor estético e funcional e, se necessário, alguns podem ser modificados ou melhorados para que se obtenha um jardim esteticamente adequado e agradável aos usuários.

VEGETAÇÃO

A vegetação é constituída por espécies de formas, portes, cores e texturas as mais variadas.

Quando combinadas com arte são a verdadeira essência do jardim. Algumas de suas características devem ser observadas quando do planejamento paisagístico:

  • por ser um ser vivo, é também dinâmico;
  • apresenta um ciclo de vida;
  • deve-se observar os atributos estéticos do vegetal;
  • as crenças devem ser respeitadas, assim como outros aspectos.

Outro aspecto a ser notado é em relação às associações de plantas (uso paisagístico), as quais são divididas em:

ISOLADO

Seu efeito ornamental pode ser representado por flores, folhagens, frutos, troncos, galhos, raízes ou porte;

MACIÇOS

São formas e volumes conseguidos com o agrupamento de plantas da mesma espécie, ou de espécies diferentes, onde a característica básica é um volume cheio em que o espaço tende a ser ocupado proporcionalmente tanto no sentido horizontal como no vertical, às vezes mais na horizontal;

TUFO

Apresenta um volume de plantas mais vazio do que o maciço, onde a verticalidade se sobrepõe à horizontabilidade;

BORDADURA

Constitui-se por plantas de pequeno porte, dispostas de forma linear, que tendem a compor as bordas de um canteiro, caminho ou até mesmo de uma árvore em destaque;

CERCA-VIVA

Formada por plantas de médio a grande porte, dispostas linearmente, que tendem a fechar ou dividir ambientes, podendo ou não serem podadas;

CORBELHA

Tipo de associação com várias espécies em que acrescenta-se ao volume e à forma, o jogo das cores e texturas, formando desenhos coloridos no jardim.

 

ANIMAIS

Sempre que possível, os animais devem fazer parte do paisagismo, tendo em vista apresentarem uma forma e colorido, enriquecendo a paisagem. Podem mostrar fins ornamentais e/ou utilitários. Exemplo: aves (araras, papagaios, garças, pavões, faisões, pássaros, etc.), peixes, lebres, tartarugas, etc.

Além desses, existem ainda outros que podem frequentar o jardim e, as vezes, nem se dá conta de sua presença, como alguns pássaros e insetos que são atraídos pelas plantas ornamentais e pela água.

 

ÁGUA

A água no jardim é também um elemento de decoração, quer seja de forma corrente ou parada, sendo desejável qualquer que seja a maneira de uso.

Pode ser encontrada sob a forma de reservatórios naturais (lagos, lagoas) ou artificiais (piscinas), nos cursos d’água (rios, riachos, cachoeiras, etc.), ou em fontes que jorram água em determinadas épocas do ano (intermitentes) ou continuamente, ou simplesmente para uso na irrigação do jardim.

 

Outros elementos do paisagismo

Além da água, um outro elemento natural presente com frequência nos jardins são as pedras que, em diferentes tamanhos e formas, emprestam à paisagem belas composições, sendo muito usadas para efeitos de contraste.

O formato e o tipo das pedras devem ser escolhidos em relação direta com o ambiente onde serão colocadas.

Os troncos e as raízes mortas de árvores também podem ser usados nos jardins; porém, quando tratados, devido à artificialização, são incluídos na categoria de elementos arquitetônicos.

Para complementar o paisagismo, são necessários outros elementos além dos naturais, de forma que harmonizados com esses, constituam um jardim que atenda às necessidades estéticas e funcionais, de acordo com os desejos dos usuários, tornando o local mais criativo e aconchegante, valorizando a paisagem.

Os elementos arquitetônicos podem definir o estilo da composição a ser seguido e transmitir sensações tanto ilusórias como reais. Assim, devem ser planejados de maneira que não choquem com os naturais, levando-se em consideração a sua frequência, linhas e formas predominantes e os materiais de sua composição.

 

Caminhos – Circulação e Piso

Os caminhos são locais destinados ao trânsito de pedestres ou de veículos, que permitem ao usuário dirigir-se e apreciar um determinado local da paisagem.

Além de direcionar os usuários do jardim, a circulação faz as ligações internas e externas do jardim, constituindo-se no elemento de integração entre os componentes da paisagem. São desenvolvidos de acordo com o tipo de jardim, e suas dimensões dependem do fim a que se destinam.

Podem ser pavimentados ou não, tendo o pavimento função ornamental valiosa quando bem explorada.

Os caminhos devem ser, preferencialmente, traçados segundo o nível do terreno; os declives fortes são valorizados por meio de escadas (tijolos, pedras, secções de toras de madeira, dormentes, lajes, etc.), podendo-se aproveitar a parte superior como mirantes.

Podem apresentar várias formas e larguras, serem permeáveis ou impermeáveis, devendo ocupar a menor área possível, pois setorizam o jardim, ou seja, fazem um zoneamento dos espaços, dividindo o terreno e as áreas ajardinadas.

A pavimentação pode ser feita com diferentes materiais: pedras toscas, lajotas de concreto, seixos rolados ou branco, ladrilhos, tijolos prensados ou de barro, lajotas de cimento ou granito, mosaico português, saibro, asfalto, brita, cimento, placas de concreto, paralelepípedo, ardósia, pedrisco, cerâmica, dormentes, cruzetas, tábuas de madeira, arenito, etc.

 

Tipos de Construções para Lazer

Alguns elementos constituem-se em infraestrutura para se obter o lazer passivo ou ativo. O lazer passivo é desenvolvido sem atividade física programada, como por exemplo uma reunião informal à beira da piscina.

Já, o lazer ativo corresponde às atividades em que o exercício e a movimentação são uma constante, ou seja, são atividades dinâmicas, como por exemplo a prática de futebol. Para tal, algumas construções são necessárias no jardim, tais como:

PISCINA

Esporte, sensação de paz e serenidade, microclima, influência estética. Observar a localização, forma, tamanho e tipo de piscina, pavimentação ao redor, proteção para animais e crianças, mobiliário e iluminação.

DECK

Plataforma de madeira inserida adequadamente no jardim, constituindo-se de superfícies planas, contínuas ou seccionadas, determinando pisos próximos às piscinas por exemplo, isolando as plantas ou conservando o gramado.

É projetado adaptando-o ao relevo do terreno. Pode ser construído em madeira apropriada (massaranduba, aroeira, peroba) e exige manutenção permanente com óleo queimado ou outro produto protetor de madeira.

PÉRGULA

Seu uso no jardim decorre da necessidade de se assegurar locais apropriados para a expansão das plantas trepadeiras, bem como oferecer um local de convivência agradável. Pode estar localizada isoladamente ou junto às edificações. Pode ser feita de madeira, ferro, concreto, alvenaria ou outro material.

CARAMANCHÃO

Também está associado às plantas trepadeiras, pois serve de suporte a elas; porém, sua estrutura é mais simples do que a da pérgula, sendo feita de material fino, ou seja, madeira roliça, bambu ou até mesmo alvenaria.

QUIOSQUE

Elemento com função social de lazer. Dependendo do formato, também pode ser chamado de GAZEBO. É usado para fazer refeições e como guarda-sol em piscinas, praias e bares, podendo conter churrasqueira, pia, fogão, etc.

É um componente completamente desligado do corpo da casa, permitindo intimidade e vista privilegiada. Pode apresentar características e dimensões variadas, podendo ser dimensionado com área de cerca de 4m2/pessoa.

Dependendo do grau de sofisticação, pode ser feito de alvenaria, madeira, vidro, concreto, ferro, policarbonato ou acrílico, além de coberturas em telha colonial, lona, palha de sapé ou folhas de palmeiras, vidro, etc., sendo o piso de vários materiais (seixos, tijolos usados, ladrilhos, pedras, entre outros).

TRELIÇA

Refere-se a uma estrutura de madeira ou outro material, em forma de grade que, servindo de suporte para as plantas trepadeiras, tem a finalidade de quebrar o visual pesado e sem beleza. Usada junto a muros altos ou paredes com aspecto desagradável e sem nenhum atrativo.

ESTUFA

Serve para colocação de coleções de plantas (hobby) nativas raras ou exóticas, com certo controle das condições climáticas. É o local ideal para colecionar cactos, orquídeas, begônias, antúrios, bromélias ou outras espécies de valor ornamental, ou ainda servir de local de recuperação de plantas doentes ou mal cuidadas.

MIRANTE

Feito em jardins extensos e que apresentam elevações com pontos privilegiados para usufruir a paisagem;

RESERVATÓRIOS E ESPELHOS D’ ÁGUA: tanques para peixes, plantas aquáticas e formação de espelhos de água, lagos, etc.;

CASCATA: pode ser natural ou artificial (pedras, concreto, calhas de cerâmica, etc.), sendo um elemento de destaque na paisagem.

PONTE: elo de ligação no jardim, podendo ser construída até mesmo em locais onde não existe água, fazendo a ligação entre acidentes topográficos (depressões). Pode ser feita de vários tipos e dimensões, usando madeira, ferro, aço, concreto ou outro material. É presença obrigatória em jardins no estilo japonês.

 

ÁREAS ESPECÍFICAS DE LAZER ATIVO

LAZER INFANTIL: casas de bonecas, play-ground, gangorras, escorregadores, balanços, gira-gira, tanques de areia, etc.;

QUADRAS POLIESPORTIVAS: vôlei, futebol, basquete, futebol de salão, tênis – verificar medidas oficiais

 

ILUMINAÇÃO

O jardim não é feito apenas para ser frequentado durante o dia, podendo se converter em ambientes extremamente agradáveis, com ótimos efeitos visuais produzidos pela iluminação artificial durante à noite, além do aspecto de segurança.

Deve ser planejada com a intensidade aproximada da iluminação interna, lembrando-se de que os focos de luz não devem incidir diretamente sobre as pessoas.

A iluminação, além de ser funcional, é também decorativa, servindo para focalizar a luz sobre a planta, deixando o fundo no escuro; iluminar apenas um setor focando a parede com objeto na frente enfatizando sua silhueta, com foco por trás e de baixo para cima (objetos com transparência) ou com foco sobre a planta de modo a conseguir sua sombra sobre a parede.

As luminárias podem servir para uso do jardim à noite, para realce e para valorização de elementos que merecem destaque, ornamentar o jardim quando possui características peculiares interessantes e criar efeitos especiais.

Dependendo do objetivo da iluminação, são escolhidas as luminárias adequadas para cada situação, as quais são classificadas em:

TIPOS DE LUMINÁRIAS

PROJETORES OU SPOTS

Usados para criar efeitos de iluminação direcionada, chamando a atenção para algum ponto específico; para ressaltar um componente em destaque no jardim, tais como uma árvore, arbusto, estátua, escultura ou fonte.

Podem ser usados também para iluminar as margens de lagos, piscinas, proximidade de bancos ou mobília de play-ground. Existem peças que ficam enterradas no solo, deixando aparente apenas a parte superior, que possui proteção especial.

ESPETOS

Assim como os spots, os espetos são usados para dar destaque em arbustos, massas arbóreas e forrações. A grande vantagem é que oferecem maior maleabilidade, pois podem ser facilmente transferidos.

BALIZAS

Usadas para orientar e clarear as vias de acesso, de circulação (caminhos, escadas e rampas), ou colocadas em meio a canteiros e arbustos, camuflando-se entre a vegetação, de maneira a iluminá-los sem aparecer.

Apresentam-se de forma tubular, podendo ser de diversos materiais. Por oferecer potência de iluminação menor do que os postes, são perfeitos para quem gosta de admirar o céu à noite.

POSTES

Encontram-se com vários formatos, que vão desde o esférico tradicional até as versões mais modernas. Sua iluminação é maior, mais uniforme e não dirigida, sendo usados em áreas extensas, áreas de permanência (recantos com bancos), locais de circulação de veículos e de pessoas, áreas planas como os gramados, e para destacar mosaicos florais ou corbelhas.

Como a iluminação é feita de cima para baixo, o ideal é que sejam mais altos para não ofuscar a vista.

DE PAREDE

Podem ser usadas em portões, porta de acesso ao jardim, pontos estratégicos da fachada da residência ou muro.

OUTROS EQUIPAMENTOS DE ILUMINAÇÃO

Tocheiros, luminárias pendentes e bolas de cerâmica, que servem também como objetos de decoração.

A coloração da luz também é importante, tendo grande influência no efeito visual que se quer produzir.

A luz verde pode ser usada para iluminar arbustos e folhagens das copas de árvores, enquanto a luz rosa é ideal para folhagens de coloração cobre; já a luz vermelho-escura serve para realçar as flores, e a amarela é recomendada para iluminar troncos de árvores; para estátuas ou estruturas que se destacam, não é necessário o uso de luz colorida.

TIPOS DE LUZ

Em relação ao tipo de luz, podem ser encontradas no mercado:

LUZ FLUORESCENTE

Consome pouca energia. Podem ser lâmpadas tubulares (40w), colocadas de 45-60cm acima das plantas, se possível com um refletor para direcionar e difundir a luz e, de preferência as de luz amarela por serem mais agradáveis no jardim;

HALÓGENA

Se parece com a incandescente em termos de luminosidade e consumo, mas suporta intempéries e tem um faixo de luz direcionado. É ideal para áreas externas, por serem mais quentes, pequenas, duráveis e reproduzirem fielmente as cores.

DE MERCÚRIO

É desfavorável para a vida noturna das plantas, prejudicando seu metabolismo, além de atrair muitos insetos. Apresenta luz prateada;

DE VAPOR DE SÓDIO

Ideal para dar profundidade em áreas grandes, apresentando luz amarela;

LIGHT EMISSION DIOD – LED

São pequenas placas de pontos de luz que já vêm fixadas em uma luminária. Para emitir a mesma luz de uma lâmpada halógena PAR de 50w, consomem apenas 10w e têm uma vida útil de 100 mil horas. Pequenas, estas luminárias interferem muito pouco no paisagismo; porém o custo ainda é alto;

 

DIVISÓRIAS

As vias de acesso funcionam também como divisores de ambientes no jardim no plano horizontal. Porém, no plano vertical, há algumas divisórias a serem usadas, formando barreiras naturais (cerca-viva) ou arquitetônicas (muros e muretas, cercas, alambrados) para delimitar os ambientes no jardim.

Divisórias são elementos destinados a dividir os espaços na paisagem e propiciar maior privacidade ao usuário. Os variados tipos de divisórias arquitetônicas são executados com diversos materiais, tais como madeira, bambu, estacas de concreto, pedras, tijolos, blocos, pranchas, elementos vazados, etc., podendo ser construídas em diferentes alturas.

 

MOBILIÁRIO

Os jardins dispõem de vários ambientes, cuja decoração pode ser complementada com mobiliários específicos, os quais podem ter uso prático e/ou estético, harmonizados com o estilo da casa e do jardim.

Os locais apropriados para a mobília são os pátios, terraços, áreas da piscina, entre outros espaços destinados ao descanso, às reuniões sociais ou ao lazer ativo.

O mobiliário pode ser fixo ou móvel. São eles: mesas, cadeiras, bancos, espreguiçadeiras, guarda-sóis, redes, churrasqueiras, além de equipamentos encontrados nas quadras e campos para prática de esportes e play-grounds.

 

OBRAS DE ARTE

As obras de arte constituem detalhes sofisticados no paisagismo, podendo ter caráter religioso, político, cultural, de valor decorativo ou venerativo. Podem ser utilizadas em qualquer estilo; contudo são mais abundantes no estilo clássico. São elas:

  • Estátuas e esculturas;
  • Painéis, baixo-relevos, monumentos, ruínas;
  • Rochas, troncos e raízes tratados;
  • Jardineiras e vasos: podem ser de cerâmica, barro, arame, concreto leve ou celular, plástico, madeira, fibra de coco, fibra de vidro, bambu, alumínio, contendo treliças ou arcos. Podem ainda ter a função apenas como peça ornamental, não servindo para o cultivo de plantas.
  • Portões: ferro batido, madeira, ferro perfilado, etc.

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